Banalidades · Cotidiano · Faculdade · TPM feelings

Aprendendo a dar valor

Incrível como muitas vezes a gente se rebaixa.

No começo do ano passado, eu estava toda feliz fazendo minha matrícula na faculdade de Medicina. Sem a menor dúvida, um dos momentos mais felizes que alguém pode ter. A alegria de estar começar a fazer o que gosta. De finalmente ter algo concreto na vida pra planejar o futuro.

Mas durante o ano passado inteiro teve um detalhe pelo qual eu, secretamente, me recriminei: ter feito 2 anos de cursinho.

Não que eu fosse algum tipo de vagabunda. Ok, confesso, no meu 3º colegial eu estudava só paras as provas, na véspera. As vezes, até saia na véspera. Mas, mesmo assim, eu sempre fui uma ótima aluna, que todos os professores falavam que ia passar direto. Meus planos eram “Rádio/TV” ou alguma coisa ligada a área de comunicação. Mas, no dia da inscrição da FUVEST (que, até aquele ano, não era feita pela internet), eu falei pra mocinha que preenchia a ficha que meu curso seria “Medicina”. Quase certeza que meu pai teve um infarto do meu lado. Ficou branco feito cera.

Ai, começou a epopéia. Muitos professores depositaram confiança em mim, de que eu ia ser a “garota que passou em Medicina direto do colegial” e que eles iriam me usar de publicidade na escola, me colocar em outdoors. Mas, para surpresa geral da nação, eu falhei. Miseravelmente.

Encarei o cursinho e, junto com ele, todos os professores que, espantados, tentavam processar a idéia de que eu não havia passado. Mas mais difícil do que não passar direto, foi não passar depois de mais de seis horas de estudo por dia (e  ai nós entramos em um episódio que eu não me sinto muito a vontade de dividir).

O segundo ano de cursinho foi tenebroso. Vida social ausente. Tentativas de ganhar confiança e acabar com o espírito de derrota por causa do ano anterior foram, na grande maioria, frustradas. Até que um dia meu namorado me ligou: “Bom dia, caloura“. Foram alguns minutos até eu entender que a lista de aprovados tinha sido divulgada. E, principalmente, que eu estava nela.

Assim eu entrei na faculdade. E comigo, levei o peso dos dois anos de cursinho nas costas.

Claro que eu conheci (muita) gente que demorou bem mais tempo que eu pra entrar na faculdade. Na minha sala, 2 fizeram 7 anos de cursinho. E vou te contar: são duas das pessoas mais inteligentes que eu conheço. Eu admiro muito eles. Admiro as pessoas que fizeram 5 anos de cursinho, 3, 2, 1, as que passaram direto. Mas não engolia os meus 2 anos.

Até que no fim do ano passado e no começo desse ano, eu pude ver a situação e as decisões de meus antigos colegas de cursinho. Alguns ainda estão batalhando, fazendo provas e tentando alcançar seus objetivos agora na segunda fase. Outros – e é com esses que eu aprendo mais – não obtiveram o resultado e tiveram que tomar uma decisão – a que eu sempre tive medo de tomar, caso a hora chegasse – parar ou continuar?

E é preciso muita maturidade pra isso. Uma maturidade que eu não sei se eu teria. É decidir lutar por mais um ano (ou alguns anos) ou perceber que tudo é muito abstrato até você viver a realidade – o que eu só percebi quando entrei na faculdade – e ver que pode ser feliz seguindo outra opção.

E a coragem de certas pessoas me fez pensar que eu preciso deixar de ser tão frouxa. Eu tenho sorte de estar aonde estou, não importa quantos anos eu demorei para chegar aqui. E, acima de tudo, o que mais importa é que eu estou… feliz!

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