Relacionamentos · Saudades

Heart Shaped Box

lettersO “projeto férias” criado pela minha mãe (que, no meu caso, foram bem pseudo-férias) inclui, obviamente, limpeza do quarto e desapego. E esse ano, depois de tantos anos passando longe, eu resolvi praticar o desapego com alguns itens da minha caixa de memórias.

Não sei exatamente o porquê durante tantos anos eu fugi de fazer isso. Muito provavelmente porque eu sou (ou pelo menos costumava ser) muito apegada às coisas, principalmente quando elas evocam lembranças (ou seja, quase tudo). Pra ser bem sincera, fazia alguns anos que eu não pegava minha caixa de memórias pra evocar memórias. Eu só a abria pra acrescentar novas coisas. E, sabendo como sou (apegada até a papel de bala), tive até medo do que ia encontrar lá dentro (mofo, quem sabe?).

 

Respirei fundo, subi na escada (uma parte MUITO importante no processo, veja bem… Eu tenho pavor de altura) e peguei, na última prateleira do meu guarda-roupa, a caixinha em formato de coração aonde eu guardo basicamente tudo o que as pessoas me dão.

 

Bom começo: nada de “tapetinhos” ou cheiros estranhos que poderiam acusar a presença de fungos. Win.

Muitos papéis de bala e chocolate, muito ingresso de filme e até comprovante de estacionamento (!) que eu não fazia nem IDEIA da origem. Pois bem, hora de praticar o desapego. Lixo pra tudo o que não me evocou memórias.

Ok, confesso que nem tudo. Algumas coisas eu tinha CERTEZA que eu ia lembrar mais tarde e acabei guardando.

 

E muita, mas muita coisa de momentos que eu já havia esquecido, mas que foi só bater o olho pra recordar.

Tipo uma munhequeira que alguém me deu pra provar que já foi emo um dia. Ou um cartaz que foi feito pra torcer por um time da sala que se achava “los fuedas”, mas que não ganhou uma partida. Também uma carta com cada palavra escrita de uma cor, com duas meninas desenhadas, típica de quem ainda estava aprendendo a escrever. Ou ainda meu primeiro cartão de Natal internacional. O desenho do Jack num guardanapo, junto com um pedido de desculpas. Um cachorro de pelúcia com um “Neil” escrito no popô. Uma Sally desenhada no caderno do meu aniversário de 18 anos. Metade de um comprovante de pagamento de pedágio. Um bilhetinho com uma piada de física e contando pro tal professor que era meu aniversário. Conchas. Desenhos de uma “MiMamute”.

É. Eu tô nostálgica.

 

Tanta coisa de tanta gente querida e de gente que eu nem faço ideia de por onde anda…

De gente que acabou deixando, literalmente, uma marquinha na minha vida pra, quando eu tiver velhinha e com Alzheimer e achar uma caixa com formato de coração no meu armário, eu me lembrar…

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